sexta-feira, 2 de março de 2012

Five songs

Cinco músicas que te fazem fingir que é forte.

O melhor Beatle - ainda que agora a moda tenha saído de ~eu adoro Beatles~ para ~eu odeio Beatles~ sir Paul ainda carrega consigo o título de melhor música de desculpa/amor/don`t leave me da história.

"Baby I'm a man and maybe
I'm a lonely man
Who's in the middle of something
That he doesn't really understand
Baby I'm a man and maybe you're the only woman
Who could ever help me
Baby won't you help me to understand"

Porque romantismo sem talento é chato e demodê.
E atentem ao solo de guitarra perfeito e harmônico aos 3:05.

Raul Seixas, aquele que virou cancioneiro do maconheiro com o passar dos anos, escreveu muita coisa boa quando estava ao lado do Paulo Coelho, aquele que todo mundo sabe que é mesmo sem lê-lo, e criou uma que é uma das poucas músicas que fala de relações abertas e sem amarras.

Porque precisa ser muito bem resolvido pra cantar isso:

"Amor só dura em liberdade
O ciúme é só vaidade
Sofro mas eu vou te libertar
O que é que eu quero
Se eu te privo
Do que eu mais venero
Que é a beleza de deitar…"

A maior parte das pessoas não sabe, mas, esses solos foram feitos pelo Brian May do Queen para aqueles velhos cabeludos e barrigudos que reclamam do "velho guns", e a música fala, basicamente, do assassinato do John Lennon - Catcher In The Rye ahn ahn - com um certo apelo ao livro que serviu de inspiração maluca para o crime. Aliás, se você que lê isso ainda não leu a obra de JD Salinger, faça agora mesmo.

E se você ficou com alguma dúvida da música e do seu teor, pense:

"You decide
Cause I don't have to
And then they'll find
And I won't ask you
At anytime
Or long hereafter
If the cold outside's
As I'm imagining It to be
Oh, no"

Já que falamos do assassino do Beatle mais famoso, falaremos agora dele próprio. John Lennon foi pilar da separação dos Beatles, e por isso mesmo quando eu escuto essa música eu só consigo pensar em um semi-pedido de desculpas dele pra banda e para, principalmente, Paul McCartney. Algo como um "não é você, sou eu" só que adaptado a música. É mais uma confissão de ciúme e medo do que uma música de amor - o que parece na primeira ouvida - e que segue o mesmo estilo harmônico da primeira música dessa lista, calma e tocante, como deve ser. Um ótimo trabalho, sem dúvida, mas que é uma confissão podre e humana.

"I was dreaming of the past,
And my heart was beating fast.
I began to lose control,
I began to lose control.
I didn't mean to hurt you.
I'm sorry that I made you cry.
Oh no, I didn't mean to hurt you.
I'm just a jealous guy."


Ok, o NiN fez a música e ela fala sobre a depressão pós-heroína e a dor física causada por isso. Ponto. Mas Johnny Cash, no final de uma vida conturbada - vá ver Johnny and June - e que está pronto pra fazer um balanço de tudo isso, pensar nas desculpas que deve e em que deve recebê-las. Fazer um mea culpa com todo mundo e ser menos irritadiço. Entender, ao final, que acabou e que quem ficou vai sentir falta, mesmo que seja de maneira ruim, e que por isso mesmo merecem respeito. Ou não. Talvez seja apenas uma forma de aplacar a intensidade da morte iminente e da possibilidade de cessar uma existência - o que deve ser horrível - que não se quer cessar. Mesmo assim, é a melhor "música de final" que eu conheço. Versos forte numa voz marcante sobre o fim - ou sobre a heroína, mas eu prefiro ficar com a imagem de um senhor arrependido e pedindo desculpas perante as merdas que fez e perante as pessoas que magoou. Muito mais poético.

"I wear this crown of thorns
Upon my liar's chair
Full of broken thoughts
I cannot repair
Beneath the stains of time
The feelings disappear
You are someone else
I am still right here"

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

HTML5 & Infografia

Quebrando a morosidade por aqui, um belo infográfico sobre HTML5 e as suas tags mais comuns.

”Infographic:Ultimate HTML5 Cheatsheat by Tech King

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Ser ateu?

"Existence, well, what does it matter?
I exist in the best terms I can.
The past is now part of my future.
The present is well out of hand.
- Ian Curtis 

As vezes eu penso nas implicações de ser ateu - ou ser religioso - e no que isso acaba sendo o cartão de visitas que temos com as pessoas. As crenças que carrega a palavra po si só, o que tudo isso quer dizer, basicamente e em uma análise fria e superficial, sobre uma pessoa que conhecemos a pouco.

Mas implica no que? Implica que a pessoa, quando se diz atéia, precisa enxergar o mundo como uma folha de papel mal escrita que gera uma explicação racional para tudo? Pode ser.

Recentemente fui vitimado - será certo dizer isso? - por um falecimento de alguém muito próximo de mim e, principalmente, religioso. Velórios são tristes, ainda mais quando o ente é seu, mas, mais do que isso, nas regiões conurbadas - e conturbadas - das cidades vemos um desespero muito maior do que nas zonas mais remotas, no interior. Enquanto aqui temos pessoas rasgando-se em prantos, lá temos preces silenciosas apenas, seguidas de despedidas silenciosas e, porque não, mais sinceras e singelas.

A verdade é que, até que eu morra, a morte é o fim mesmo. Não temos outra vida, outra chance ou um julgamento moral as portas do Éden com São Pedro. Não, a vida é fraca e acaba, quase sempre aos poucos, e muitas vezes abruptamente, mas a morte é, afinal, o fim.

Pode-se pensar no sentido de ter uma existência, a principio, sem motivo ou significação e que caminha para o lugar nenhum, afinal, cedo ou tarde vamos terminar como ser. Vamos deixar uma família inteira chorosa e uma grande quantidade de gavetas a serem remexidas. A morte é um chiste afinal, pois é o descanso de um corpo e o fim de uma existência e, ao mesmo tempo, o início de uma lembrança constante dos que ficam. O lugar vazio, a cama vazia, os pertences em todo o lugar. Tudo vai remeter a quem se foi e, quem não se sente tranquilo consigo mesmo, pensando na culpa que corrói por não estar mais presente, por ter priorizado outras partes da vida, acaba tornando essa ausência mais dolorosa.

Eis o ponto de ser ateu. E religioso.

Vi muito do comportamente religioso no ateu, e vice-versa. Não estou dizendo dos "não praticantes" e dos que seguem a religião mesmo, com fé. A certeza de que a vida continua, ou melhor, de que existe algo maior no pós-morte faz com que o religioso comporte-se muito mais serenamente do que o "dito" religioso - o habitante urbano da cidade em sua maioria - porque a finitude da vida aqui é a certeza da eternidade. E o ateu segue o mesmo passo, porém, sabendo que acabou, que não tem pecado ou moralidade na vida. Que, cessada a atividade cerebral, terminou tudo. E assim será com toda a vida no planeta: nasce, cresce e morre. E a serenidade do ateu se confunda com a religiosa quando, bem ou mal, ambos tem consciência do que é a morte - cada um com a sua crença - e ser ateu acaba, por mais contraditóro que isso soe, mais próximo de ser religioso.

Por isso mesmo eu fico pensando no que é ser ateu, ou melhor, dizer-se ateu. É carregar consigo uma série de crenças - veja só - na verdade - ou na busca dela - em oposição a inconsistência que as repostas prontas trazem, mas ambos, afinal, trazem consigo a certeza de que existir é algo que cessa e que é natural - e que assim deve ser encarado.

E três vídeos que, apesar de ter pouca relação com o que eu falei, são legais e falam sobre ateísmo.

domingo, 25 de dezembro de 2011

2011/2012

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Ano passado eu fiz uma revisão da minha vida toda poucos dias depois do meu aniversário - também conhecido por vocês como "ano novo" - e pra onde eu gostaria de ir nesse novo ano. Alguma coisas foram bem melhores do que eu esperava e outras bem piores. Hoje, dia 25 eu sofro com a minha avó na UTI - e o pior de tudo, avós sempre são os melhores parentes e os que morrem mais cedo, e o pior de tudo isso ainda, é o estado emocional que os seus pais ficam (a minha avó materna morreu em 2002) afinal perdem os pais.

Provavelmente fora o pior natal da minha vida, com aquela mesa esperando pra ser ocupada pela avó que não vem. Com a minha mãe pra baixo - o que é incomum - e com o meu irmão sem saber muito bem o que fazer. Não fico mais triste porque, mesmo se o pior ocorrer, ainda tenho certeza que ela viveu uma vida que eu mesmo provavelmente jamais irei viver. Viu uma guerra, fugiu e até montou granadas pra sobreviver. Teve 5 filhos e uma infinidade de netos e bisnetos. Passou a mão por cima de todos, mimou o máximo que pode todos e marcou uma série de esistÊncias. Beirando os 90 anos - uma idade que eu não consigo sequer me imaginar chegando - viveu uma vida feliz. Não que eu não fique arrasado com a possibilidade do meu último avô morrer - o pai do meu pai morreu de câncer quando eu nem era nascido e o pai da minha mãe morreu logo após o meu nascimento, em 1983 - mas so mesmo tempo eu tento pensar que a vida continuar e que a minha avó fez quase tudo o que queria.

Sobre a minha pessoa fica até mais complicado falar, mas eu consegui grande parte do que eu tinha planejado pra 2011. Passei nos vestibulares que eu fiz - já estou ficando profissional nisso - e acabei escolhendo ficar na Letras na UFRGS mesmo, ambiente conhecido - e o curos de Fonoaudiologia deveria ser bem mais caro - o que me levou a conhecer alguma pessoas novas - não conheço mais gente por lá não por falta de vontade e sim por timidez  mesmo, nunca fui o cara mais descolado/bonito/extrevertido do mundo e isso acaba me dificultando as coisas - mas em linhas gerais o curso é melhor do que eu esperava e isso me dá um gás muito maior do que antigamente. Continuo tendo de trabalhar junto aos estudos, o que não é aconselhável, mas é algo que também me faz conhecer pessoas novas - e me dá uma grana - e ao mesmo tempo consegui tirar (quase) a minha empresa do papel - minha e de mais 3 sócios - quando conseguimos uma vaga no CEI da UFRGS para incubação. Aos poucos vou correndo atrás de mais algumas coisas (temos 2 meses pela frente para conseguir acabar boa parte do projeto).

Destaco que, depois de muito tempo, finalmente conheci o Luiz de SP - post dele aqui - e voltei a me encontrar pra jogar uma bola e beber com aquele pessoal amargo da FAECV que reclama de tudo.

Sinceramente, não sei o que farei em 2012. Não gosto mais como eu gostava de informática e computação e não tenho mais feeling pra progamar (ainda que isso dê dinheiro) e também por vezes me irrito com todo mundo na minha volta. Quero ver se começo alguma academia e emagreço - já que em 1 anos emgreci ~1kg - e se começo a correr pra ficar menos sedentário - minha bicicleta foi pro espaço e eu pretendo comprar outra esse final de ano - e ver se consigo ser menos tímido e mais amigável com todo mundo e quero levar a minha mãe e o meu irmão pra viajar, pra qualquer lugar, só pra sair da rotina deles (e minha) de só ficar em Porto Alegre. Esquecer um pouco os problemas e espairecer.

E que 2012 não termine com o mundo no dia 21/12.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Dear diary ...

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O ano era 2007, mais ou menos por essa época do ano, eu era um cara nervoso. Sem chão e perdendos os cabelos por algo que não valia muito a pena (ok, dizer isso agora soa imbecil, mas a verdade é que todo mundo tem o seu valor em determinada época e eu aprendi num intensivo naquela ocasião tudo o que eu não deveria fazer) e que hoje me bateu de volta, como um daqueles espamos no estômago que perecedem a ... enfim.

Talvez seja culpa do momento delicado com a minha avó no hospital (essa mesma avó que me cuidou tantas e tantas vezes durante a vida) sem terabsolutamente ninguém por perto (ok, tem meu irmão que, agora que eu cheguei do hospital, está jogando absorto) e relutando sem saber direito o que fazer e como fazer, quando, tudo o que você precisa é de uma válvula de escape.

Por isso mesmo eu me relembrei de 2007, de 2003 e de 2010. Anos distantes uns dos outros mas com peculiarides que os aproximam. Sou solitárioe sei disso, convivo com isso. Sou tímido e não costumo falar muito em nenhum lugar. Não sei demonstrar o que eu sinto e sou um imbecil quando preciso tratar de qualquer coisa relacionada com amor e afeto. Queria ser diferente, luto pra ser diferente. Mas provavemente eu nunca irei conseguir ser diferente.

Talvez eu devesse melhorar o meu entendimento com as pessoas e tentar vencer a minha timidez. Não que isso me atrapalhe na vida, pelo contrário, mas é que de certa forma que vejo que as coisas as vezes poderiam ser mais fáceis (muito mais fáceis) caso que conseguisse sair desse marasmo social. 

Passei um bom tempo entre pensar nisso no calor de Porto Alegre no verão até chegar a escrever, de fato, esse emaranhado sem sentido (e faz  bem, fazia tempo que eu não escrevia nada pessoal e eu vinha acumulando isso comigo faz um bom tempo) que não me levará para lugar algum e muito provavelmente irá morrer aqui (estou assumindo a culpa de que eu vou, por mais um ano, continuar sendo retraído, antisocial e tímido) e eu vou escrever, sozinho, daqui algum tempo mais um post nesse sentido.

E é por isso que gosto de dias chuvosos.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Love the way you lie

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Just gonna stand there and watch me burn
Well that's alright because I like the way it hurts
Just gonna stand there and hear me cry
Well that's alright because I love the way you lie
I love the way you lie

Confesso que não sou muito chegado em músicas mais mainstream como essa do Eminem com a Rihanna, mas, essa frase que me serve de epígrafe nesse texto me faz pensar. Só pensar.

Relações são deveras complicadas, todo mundo que tentou se enverdar por esse caminho, que tende a dar errado sempre, sabe que uma das coisas mais complicadas da existências humana é, exatamente, conseguir conciliar a paixão polatônica, que não conhece defeitos, com o convívio e com o amor e, numa tarefa hercúlea, manter-se são e apaixonado como se fosse o primeiro dia.

Bom, falando racionalmente, isso nunca ocorre porque o desgate de estar sempre com a mesma pessoa (e aturar as suas manias, problemas, variações de humor, TPM e loucuras) mudará o modo como vemos a pessoa amada, e isso vai ocorrer todo o dia, toda a hora, todo o momento. Por mais duro que seja, deve-se saber que quando se entra em uma relação, qualquer que seja, estamos fadados a mudar a nossa visão daquela pessoa (e ela mudará a visão dela em relação à você) e, muitas vezes, não conseguimos aguentar a frustração de perceber que não estamos junto da pessoa idealizada e sim de uma pessoa normal.

Nessa hora que temos que escolher se vamos continuar, achando novas maneiras de amá-la, ou se vamos sucumbir ao erro de ter idealizado a pessoa e agora ela ter se mostrado, afinal, humana. Machuca ter de encarar a realidade, mas, é exatamente isso que temos de fazer. Mentir é a caísa mais comum, mas cedo ou tarde vamos nos deparar com a mentira, mesmo que pra nós mesmos, e vamos nos machucar mais ainda. E doerá. E será frustrante. E não será como nos livros, nos ilmes ou na novela da oito.

Pessoas vão nos magoar e machucar, vamos sofrer dia e noite enquanto estamos acordados, olhando pro teto, tentando entender o que se passa na cabeça dela (e sem sucesso) até que a melhor saída será não levar o relacionamento até o ponto onde poderia nascer o amor.

E, como na música, muitas vezes adoramos o jeito como ela nos mente e mais ainda a maneira como tudo isso nos machuca (e nos faz sentir a vida, de fato) cada vez mais, numa escalada doentia de autodestruição amorosa nos deixamos levar pelo medo de terminar algo que se esgotou (por medo de não ter esgotado) e acabamos nos machucando, machucando aos outros e mentindo, mais do que pra todos, pra nós mesmos. Seguir adiante, naquela estrada escura que parece não ter fim e muito menos nos levar à algum lugar. Na maioria das vezes esses passos são mais facéis do que os primeiros passos que demos em direção à estrada, é mais fácil abonadonar tudo do que

As vezes o adeus dói menos que o oi.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Uma torcida precisa ser forjada!

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Inicio o post com um pensamento/post do meu amigo Paulo Roberto Silva (vulgo Paulão Coração Valente) que, após o GreNal do domingo, ficou filosofando sobre a flauta moderna e como os jovens torcedores da dupla (e de todos os outros clubes) não tem a mesma valentia dos de outrora.

As pessoas hoje em dia não sabem mais o que é uma boa "flauta". Antigamente quando não existia a internet e muito menos as redes sociais, o cara que perdia tinha que ir pra escola ou para o trabalho e aguentar os flautistas e encarar de frente a merda que seu time fazia. Hoje em dia as flautas são todas pela internet, então é só ficar off que sua vida de derrotado está salva, ninguém vai falar nada e você não ouvirá nada. Acho que esse é o problema do Grêmio, falta olho no olho, a torcida aguentar a sacanagem de frente e pressionar essa direção de merda. Por isso tenho inveja dos colorados, foram forjados a ferro e fogo, levando chumbo e sendo gozados (sem trocadilhos) por longos anos e pressionando no famoso portão no Beira Rio. Por isso o Inter cresceu. Colorados, parem as flautas na internet e encarem o derrotado de frente, sacaneiem, coloquem a capa do jornal na cadeira do colega, façam alguma coisa, só assim algo pode mudar no tricolor.

Racionalizando em cima do comentário eu cheguei a mesma conclusão, e digo mais, os novos torcedores não irão ser tão fiéis quanto os antigos (acostumados as vacas magras) porque cresceram num ambiente de títulos e fartura.

Peguemos como exemplo o Inter. A torcida atual do Inter (quando digo atual refiro-me a torcida que vai ao estádio e faz pressão) foi forjada nos anos 90. Época de pouca títulos, muitas dívidas e horas no Portão 8 do Beira-Rio (esse, quase uma entidade colorada) para protestar contra jogadores de terceiro ou quarta escalão, treinadores medíocres e/covardes e uma direção omissa que quase conseguiu terminar com a instituição Internacional (sim, foi a era Záchia, saudosa dos gremistas) em troca de alguns trocados a mais no banco.

Essa torcida colorada cresceu indo à escola todos os dias após os títulos do GFPA do Felipão. Cresceu indo a escola todos os dias após os gols do Jardel com assistências do Paulo Nunes. Cresceu, enfim, soba égide da flauta futebolística. Aprendeu, depois de tomar muita porrada, a protestar pressionar quando o time não joga bem e quando a direção parece querer retormar o rumo do império otomano colorado. Essa torcida cresceu assim, brigando contra moinhos de vento no colégio, onde todos os gremistas esbaldavam-se em frente aos colorados, corroídos de ódio e desejo de vingança (isso os que aguentaram, heroicamente, continuarem sendo colorados, porque era comum que a torcida do GFPA inflasse a cada erguida de taça) e, o mais importante disso tudo, com o senso crítico que apenas a derrota nos traz.

Era a época da flauta olho-no-olho. Sa camiseta do clube rival ostentada na sala de aula como se fosse um troféu de guerra. Era o tempo em que os colorados se reuniam para discutir futebol contra os gremistas (numa das batalhas mais desiguais que a época poderia criar) sem medo de bullying ou, o melhor de tudo, sem mudança de status no Facebook. Se por um lado hoje um título é valorizado nos quatro cantos do mundo ao mesmo tempo em que ele é ganho (lado bom) por outro o futebol aprece que, cada vez mais, perde a sua essência mágica e humana: a flauta.

E isso se reflete até hoje no comportamento de cada torcida. Enquanto a torcida colorada sempre tem um pé atrás, sempre espera que no último momento as coisas comecem a dar errado e o time atole de vez e perca o título quase ganho (numa constante reedição da TLA88), ao passo que, a torcida tricolor, no menor dos êxitos já se vê na final ganhando títulos, traço claro de uma torcida (forjada nos anos 90) que se acostumou com o time dando resposta em campo e, por mais que a realidade hoje seja oposta (com o Inter dando resposta e ganhando títulos) no subconsciente de cada torcedor ainda temos os traços de nossa origem,muito distinta entre ambas as atuais torcidas.

Eu hoje tenho medo de como o meu irmão iria se comportar caso o Inter voltasse a perder crônicamente, como eu vi acontecer nos anos 90, e acabasse não sendo mais protagonista nacional e sim um time que estava na descendente do grande para o médio.

Eu tenho medo também de como essa torcida da era digital vai responder à flauta normal e, mais ainda, como esse povo todo pretende eliminar o atrito da vida (eu vejo que hoje isso é o que mais faz falta à essa geração) sem perder o sabor dela.