Cinco músicas que te fazem fingir que é forte.
O melhor Beatle - ainda que agora a moda tenha saído de ~eu adoro Beatles~ para ~eu odeio Beatles~ sir Paul ainda carrega consigo o título de melhor música de desculpa/amor/don`t leave me da história.
"Baby I'm a man and maybe
I'm a lonely man
Who's in the middle of something
That he doesn't really understand
Baby I'm a man and maybe you're the only woman
Who could ever help me
Baby won't you help me to understand"
Porque romantismo sem talento é chato e demodê.
E atentem ao solo de guitarra perfeito e harmônico aos 3:05.
Raul Seixas, aquele que virou cancioneiro do maconheiro com o passar dos anos, escreveu muita coisa boa quando estava ao lado do Paulo Coelho, aquele que todo mundo sabe que é mesmo sem lê-lo, e criou uma que é uma das poucas músicas que fala de relações abertas e sem amarras.
Porque precisa ser muito bem resolvido pra cantar isso:
"Amor só dura em liberdade
O ciúme é só vaidade
Sofro mas eu vou te libertar
O que é que eu quero
Se eu te privo
Do que eu mais venero
Que é a beleza de deitar…"
A maior parte das pessoas não sabe, mas, esses solos foram feitos pelo Brian May do Queen para aqueles velhos cabeludos e barrigudos que reclamam do "velho guns", e a música fala, basicamente, do assassinato do John Lennon - Catcher In The Rye ahn ahn - com um certo apelo ao livro que serviu de inspiração maluca para o crime. Aliás, se você que lê isso ainda não leu a obra de JD Salinger, faça agora mesmo.
E se você ficou com alguma dúvida da música e do seu teor, pense:
"You decide
Cause I don't have to
And then they'll find
And I won't ask you
At anytime
Or long hereafter
If the cold outside's
As I'm imagining It to be
Oh, no"
Já que falamos do assassino do Beatle mais famoso, falaremos agora dele próprio. John Lennon foi pilar da separação dos Beatles, e por isso mesmo quando eu escuto essa música eu só consigo pensar em um semi-pedido de desculpas dele pra banda e para, principalmente, Paul McCartney. Algo como um "não é você, sou eu" só que adaptado a música. É mais uma confissão de ciúme e medo do que uma música de amor - o que parece na primeira ouvida - e que segue o mesmo estilo harmônico da primeira música dessa lista, calma e tocante, como deve ser. Um ótimo trabalho, sem dúvida, mas que é uma confissão podre e humana.
"I was dreaming of the past,
And my heart was beating fast.
I began to lose control,
I began to lose control.
I didn't mean to hurt you.
I'm sorry that I made you cry.
Oh no, I didn't mean to hurt you.
I'm just a jealous guy."
Ok, o NiN fez a música e ela fala sobre a depressão pós-heroína e a dor física causada por isso. Ponto. Mas Johnny Cash, no final de uma vida conturbada - vá ver Johnny and June - e que está pronto pra fazer um balanço de tudo isso, pensar nas desculpas que deve e em que deve recebê-las. Fazer um mea culpa com todo mundo e ser menos irritadiço. Entender, ao final, que acabou e que quem ficou vai sentir falta, mesmo que seja de maneira ruim, e que por isso mesmo merecem respeito. Ou não. Talvez seja apenas uma forma de aplacar a intensidade da morte iminente e da possibilidade de cessar uma existência - o que deve ser horrível - que não se quer cessar. Mesmo assim, é a melhor "música de final" que eu conheço. Versos forte numa voz marcante sobre o fim - ou sobre a heroína, mas eu prefiro ficar com a imagem de um senhor arrependido e pedindo desculpas perante as merdas que fez e perante as pessoas que magoou. Muito mais poético.
"I wear this crown of thorns
Upon my liar's chair
Full of broken thoughts
I cannot repair
Beneath the stains of time
The feelings disappear
You are someone else
I am still right here"


